terça-feira, 14 de maio de 2013

Jantar fevereiro 2013


Após o sucesso do jantar anterior, o de fevereiro aparecia na situação algo ingrata de sucessor. O que aconteceu foi muito interessante: tratou-se de um jantar de tal forma diferente do habitual, que escapou a comparações. Na verdade, a diminuição das presenças e um perfil de vinhos sem antecedentes trataram de o colocar num local próprio. Uma das sensações mais presentes durante a noite foi que as diferenças entre as regiões nacionais são cada vez menos claras. Foi, portanto, um jantar com muitos “murros no estômago”, que nos ajudam a saber mais e a manter a mente aberta para mudar algumas ideias feitas que tenhamos.
Arranque com o espumante da Herdade do Esporão, versão 2010, que mostrou a qualidade que esta casa nos tem habituado noutros vinhos e agradou a todos.
O capítulo brancos foi muito interessante. Teve início com o Grambeira, um Duriense com origem em solos arenosos, que mostra um perfil diferente do habitual na região; seguiu-se o Herdade das Servas, muito apreciado, onde se destacou a boa frescura; numa pequena partida aos presentes o Monte das Servas Escolha (gama abaixo) foi servido depois e teve mais sucesso que o antecessor, com os seus corpo e complexidade a serem muito valorizados. O fecho foi com o Tapada de Coelheiros, que esteve muito bem, agradou e mostrou qualidade bem elevada para o preço.
Nos tintos, marcaram presença Douro e Alentejo. Início com o Churchil Estate, jovem, fresco e frutado, a mostrar-se muito bom e consensual; o reserva da Quinta do Quetzal mostrou a frescura da Vidigueira, que, com a estrutura, nos apontava para o perfil mais nortenho; o Grou Castelão encantou com o seu belo corpo, polimento global e caráter.
O fecho foi com o tawny 10 anos da Dow's, muito jovem e pujante, que agradou.
Ficam as impressões dos vinhos provados por um painel de 8 participantes:

Entrada

Herdade do Esporão: Cor citrina, aroma essencialmente frutado. Fresco, suave e equilibrado na boca, segue o perfil do nariz até ao final médio. Muito bom.



Brancos

Grambeira: Cor palha, nariz frutado e floral. Na boca é fresco, suave e equilibado. Final médio para um vinho bem agradável.

Herdade Servas: cor amarelo citrino, aroma frutado, mineral e algum fumado. Bem fresco, suave e equilibrado, acompanha o que mostrou no nariz e termina médio. Muito bom.



Monte das Servas: cor citrina, aroma frutado, tropical. Na boca mostra algum corpo, frescura e equilíbrio. Bom final, para uma apreciação global muito boa.



Tapada de Coelheiros: cor amarelo citrino, aroma frutado e mineral. Encorpado, fresco, bem equilibrado, mantém o perfil até ao final longo. Muito bom.


Tintos

Churchill State: cor rubi, aroma frutado. Suave, fresco, equilibrado e com taninos redondos, mantém o perfil até ao final médio. Um vinho de agrado geral.

Quinta Quetzal Reserva: cor rubi, nariz complexo, frutado, especiado, floral e balsâmico. Encorpado, fresco, bem equilibrado, taninos redondos e final médio. Muito bom.



Grou Castelão: cor rubi, aroma frutado e com alguma especiaria. Na boca é encorpado, fresco, equilibrado e com taninos polidos. Mantém o perfil até ao final longo. Excelente, um belo vinho.


Sobremesa

Dow's 10 anos: cor caramelo. No nariz frutos secos, alguma marmelada e notas de madeira. Suave, fresco e equilibrado, termina médio. Não deslumbrou, mas o balanço final é muito bom. Algum tempo em garrafa pode ajudar.

Nome Vinho Ano Tipo Castas Região Produtor Preço Prateleira Nota
Herdade do Esporão 2010 Espumante Antão Vaz, Verdelho Alentejo Herdade do Esporão 10,00 € 16
Grambeira 2011 Branco Códega Larinho, Viosinho, Rabigato Douro Frederico Meireles Unipessoal 7,00 € 16,5
Herdade das Servas 2011 Branco Roupeiro, Alvarinho, Roupeiro Alentejo Herdade das Servas 9,50 € 16
Monte das Servas Escolha 2011 Branco Antão Vaz, Arinto, Roupeiro, Viognier Alentejo Herdade das Servas 5,50 € 17
Tapada de Coelheiros 2011 Branco Roupeiro, Arinto, Chardonnay Alentejo Herdade dos Coelheiros 8,00 € 16,5
Churchil Estate 2010 Tinto Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca Douro Churchil Graham 9,50 € 16,5
Quinta Quetzal Reserva 2009 Tinto Syrah, Trincadeira, Alicante Bouschet Alentejo Quinta Quetzal 20,00 € 17
Grou Castelão 2006 Tinto Alfrocheiro, Touriga Nacional, Alicante Bouschet Alentejo Soc. Agric. Vale Joana 20,00 € 17
Dow's 10 anos
Porto Tawny
Vinho do Porto Symington Family Estates 17,50 € 15,5


sábado, 16 de março de 2013

Jantar Janeiro 2013




2013 promete ficar na história como um ano de dificuldades, no entanto, o 4 Horas à Mesa teve um início de ano particularmente bom. Em 31/01/2013 realizou-se o primeiro “ajuntamento” vínico no Fusão Restaurante Lounge. Era difícil ter começado melhor, dado que tivemos momentos de excelência, pedagógicos, de debate e no final, mais uma vez, quase todos saíram do jantar a saber algo mais sobre vinho do que quando entraram. Fica também marcado pela presença de um convidado muito ligado ao mundo do vinho. Tivemos o gosto da presença do Sr. Luís Cândido Silva, proprietário da Garrafeira Tio Pepe, que contribuiu com as suas experiência e capacidade de comunicação para enriquecer tanto as provas como as conversas.
O início foi com bolhas. Primeiro, um Cava que convenceu os presentes, fresco e com carácter foi objecto de aprovação unânime; seguiu-se um Prosecco Bruto, que se revelou um desafio aos convivas, já que o seu perfil diferente colocou-nos todos com dúvidas sobre o que estávamos a beber. Agradável e pedagógico.
O capítulo brancos foi o mais longo, com 6 vinhos para prova. Arranque com um riesling vinificado em Itália, a partir de um clone Alemão, a mostrar a acidez e algumas notas minerais da casta. Seguiram-se brancos nacionais, com presença das 4 regiões mais a norte. Início no Douro, com o Branco da Gaivosa, que apresenta um perfil diferente do habitual na região; descida até ao Dão, onde provámos o Julia Kemper, que convenceu com as suas textura e suavidade; viragem em direcção ao mar, e da Bairrada veio o Nossa Calcário (assinatura de Filipa Pato) que alia a delicadeza da região à complexidade de uma barrica bem trabalhada, a um passo da excelência; rumámos a norte e da região dos vinhos verdes chegou dose dupla do Soalheiro Reserva 2010, em garrafa standard e magnum. Em prova cega, destacou-se a maior concentração da magnum, que recolheu a preferência dos convivas. Foi um momento fascinante e muito pedagógico, que aconteceu completamente por acaso. Foram muitos e bons. Seguiu-se a interrogação: estarão os tintos à altura?
O primeiro tinto foi o Grainha, da Quinta Nova N. S. Carmo, que nos mostrou um genuíno carácter duriense, encorpado e polido, que mereceu aprovação global. Do Alentejo, o Solar dos Lobos Grande Escolha teve mais dificuldades, já que o seu lado texturado e taninoso pedia mais arejamento, mas fica nota de um potencial de longevidade assinalável. Regresso ao Douro com o CM, do produtor CARM, que repetiu presença com o mesmo sucesso: um grande vinho, que convenceu. O fecho foi em grande, com uma magnum de um Quinta do Crasto Vinha da Ponte 1998, a quem foi rendida a homenagem devida a um vinho de excepção e a inevitável aclamação.
O fecho foi com chave de ouro. Da Austrália veio um moscatel fortificado que é quase impossível descrever. Um portento de concentração e equilíbrio, que nos hipnotiza e mostra o que é o topo da excelência.
No final, todos estavam conscientes que se juntou um painel com um nível de qualidade raro nos nossos encontros, pelo que será certamente um jantar para lembrar por muito tempo.
Ficam as impressões dos vinhos provados por um painel de 13 participantes:


Entrada

Cordoniu Raventos: Cor citrina, aroma frutado, vegetal e especiado. Fresco, suave e equilibrado na boca, segue o perfil do nariz até ao final longo. Muito bom.



Prosecco: Cor citrina, aroma frutado e algum mineral. Fresco, suave e equilibrado, termina médio. Um espumante diferente.


Brancos

Riesling: Cor citrina, nariz frutado e mineral. Na boca, destaca-se a frescura, num todo equilibrado e suave. Final médio para um vinho bem agradável.

Branco da Gaivosa: cor amarelo citrino, aroma essencialmente frutado. Fresco, suave e equilibrado, acompanha o que mostrou no nariz e termina médio. Muito agradável.

Julia Kemper: cor citrina, aroma frutado, vegetal e notas de madeira. Na boca mostra bom corpo, frescura e equilíbrio. Bom final, para uma apreciação global muito boa.



Nossa Calcário: cor amarelo palha, aroma frutado e mineral. Encorpado, fresco, bem equilibrado, mantém o perfil até ao final longo. Muito bom.

Soalheiro Reserva: cor amarelo palha, nariz frutado, mineral e com notas do estágio em madeira. Encorpado, acidez vibrante e equilibrado, tem final longo. Um vinho à porta da excelência.

Tintos

Grainha: cor rubi, aroma frutado, floral e nuances de madeira. Encorpado, fresco, equilibrado e com taninos redondos, mantém o perfil até ao final médio. Muito bom.

Solar dos Lobos: cor rubi, nariz complexo, frutado, especiado. Encorpado, fresco, bem equilibrado, taninos com alguma adstringência e longo no final. Muito bom.



CARM CM: cor rubi, aroma frutado, balsâmico e com notas de madeira. Na boca é encorpado, fresco, equilibrado e com taninos bem presentes. Mantém o perfil até ao final longo. Muito bom.

Vinha da Ponte: cor rubi, aroma complexo, ainda com presença de fruta, especiarias e muito mais. Na boca, é muito suave, encorpado, com taninos maduros e equilibrado. Termina longo, numa aprecição global sublime. Um vinho sedutor, irresistível.

Sobremesa



Morris of Rutherglen: cor acastanhada. Aroma super complexo, quase indescritível, que alia uma ligeira memória citrina da casta a notas esmagadoras de caramelo, café, etc... do estágio e evolução. Imenso na boca, com volume e untuosidade e final enorme. Um vinho raro, de nível mundial, sublime.


Nome VinhoAnoTipoCastasRegiãoProdutorPreço PrateleiraNota
Cordoniu Seleccion RaventosCavaXarel lo, Macabeo, ChardonnayCavaCordoniu10,50 €16
Prosecco Valdobbiadene BrutEspumanteProseccoVenetoBiancavigna12,00 €15
Riesling Vigna Costa2010BrancoRieslingOltrepo PaveseBruno Verdi12,00 €15
Branco Gaivosa2011BrancoDouroAlves de Sousa7,00 €15,5
Julia Kemper2011BrancoMalvasia-Fina, EncruzadoDãoJulia Kemper11,00 €16,5
Nossa Calcário2011BrancoBicalBairradaFilipa Pato22,00 €17
Soalheiro Reserva2010BrancoAlvarinhoVinhos VerdesVinuSoalleirus22,00 €17
Soalheiro Reserva (Magunm)2010BrancoAlvarinhoVinhos VerdesVinuSoalleirus22,00 €17,5
Grainha2009TintoTouriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Touriga FrancaDouroQuinta Nova N. S. Carmo12,00 €16,5
Solar dos Lobos Grande Escolha2008TintoAlicante Bouschet, Touriga Nacional, AragonezAlentejoSilveira e outro19,50 €16,5
CM2007TintoTinta Roriz, Touriga Franca, Touriga NacionalDouroCARM30,00 €17
Quinta Crasto Vinha da Ponte Magnum1998TintoDouroQuinta do Crasto18
Morris of Rutherglen Old PremiumFortificadoMoscatelAustráliaMorris Wine19

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Jantar Dezembro 2012




O último jantar do ano foi em 27 de Dezembro e manteve-se o modelo temático de espumantes. Fazer um jantar com este tipo de vinho tem um desafio associado: temperatura. São muitas garrafas, todas para servir frescas e precisam sempre de uns minutos bem gelados antes da abertura. Significa isto que as que chegam mesmo na hora de arranque não se podem libertar das rolhas de imediato. Assim, a ordenação foi mais determinada pela temperatura do que pelo perfil do vinho em si. Nada de grave, a consequência foi termos começado muitíssimo bem.
Cartuxa Reserva 2008 teve honras de abertura, a acompanhar o amuse bouche com a sua qualidade e a mostrar que no Alentejo também há espumantes muito bons. Seguiu-se o Murganheira Vintage, certamente no grupo dos grandes nacionais, e por aqui se vê que o início colocou o nível num patamar bem elevado. O curioso champanhe low cost Philppe Fontaine mostrou a espuma tão característica dos vinhos da região e um perfil delicado, mas no geral não entusiasmou.
Depois da passagem por França, o regresso a Portugal proporcionou mais uma sucessão de espumantes de qualidade. Borga Bruto, complexidade na Bairrada de um produtor de referência (Campolargo); seguido da presença de uma versão tinta de Távora-Varosa, Terras do Demo, que convenceu com o seu equilíbrio; e o Vértice Millésime, Duriense, ombreou com os restantes nomes sonantes nacionais e esteve bem à altura do reconhecimento que tem.
A presença da mítica região de Champagne não tinha terminado, faltava a estrela da noite. Delicado no nariz, não se apresentou de forma ruidosa. Antes esperou pelo momento de mostrar as suas mousse, frescura e equilíbrio para demonstrar que tínhamos no copo algo de especial. O final longo, sedutor, irresistível rendeu-nos ao seu encanto. O Louis Roeder Cristal 2004 passou pelo nosso jantar para abrilhantar a noite e proporcionar um brinde de bom 2013 com um néctar superior.
Para fecho ainda havia o LBV 2008 da Niepoort, que mostrou boa qualidade e um potencial de longevidade acima da média na classe.
O ambiente festivo da época e da bebida estendeu-se aos convivas, no entanto, não deixámos de comentar a qualidade dos espumantes nacionais que bebemos nessa noite: Cartuxa, Murganheira Vintage, Borga e Vértice Millésime são espumantes de nível internacional. Foi um orgulho confirmá-lo.

Ficam as impressões dos espumantes e champanhes provados por um painel de 8 elementos:


Cartuxa Reserva: Cor palha, aroma frutado, vegetal e especiado. Fresco, suave e equilibrado na boca, segue o perfil do nariz até ao final longo. Muito bom.

Murganheira Vintage: Cor citrina, aroma complexo, tostado, frutado e algum mineral. Fresco, equilibrado e com bom volume, termina longo. Um dos preferidos da noite.

Philippe Fontaine: Cor citrina, nariz frutado. Na boca, destaca-se a boa mousse, acompanhada por frescura, num todo equilibrado. Final médio, um champanhe agradável.



Borga Bruto: cor amarelo citrino, aroma complexo, tostado, notas de madeira, balsâmico e vegetal. Fresco e equilibrado, acompanha o que mostrou no nariz e termina médio. Um espumante muito bom.

Terras do Demo: cor rubi, aroma essencialmente frutado. Na boca é bem equilibrado e fresco, com uma textura bem suave, quase cremosa. Final médio, para uma boa apreciação global. Um espumante tinto a manter como referência.


Vértice Millésime: cor amarelo palha, aroma frutado, tostado, madeira e balsâmico. Na boca destaca-se um acidez vibrante, mantendo-se bem equilibrado. Termina médio, para uma apreciação global de muito bom.


Cristal: cor amarelo citrino, nariz delicado, frutado e com notas de panificação. A boca apresenta a espuma tão característica dos champanhes, boa frescura e óptimo equilíbrio. Final longo, para um champanhe de excelência. O vinho da noite.


Sobremesa


Niepoort LBV: cor rubi bem concentrada. Aroma furtado e floral, com a vida de um LBV jovem. Estruturado e fresco na boca, apresenta bom equilíbrio. Os corpo, taninos e acidez que mostra prometem vida longa e evolução muito positiva em cave. Para beber já com decantação ou guardar.


Nome VinhoAnoTipoCastasRegiãoProdutorPreço PrateleiraClass.
Cartuxa Reserva2008EspumanteAlentejoFundação Eugénio Almeida26,00 €16
Murganheira Vintage2005EspumanteTávora-Varosa DOCMurganheira Vinhos e Espumantes25,00 €17,5
Philippe Fontaine2007ChampanheChampagnePhilippe Fontaine14,00 €14,5
Borga Bruto2004EspumanteBairradaManuel Santos Campolargo18,00 €17
Terras do DemoEspumante Tinto BrutoTouriga FrancaTávora-Varosa DOCCoop. Agric. Távora Varosa9,00 €15,5
Vértice Millésime2005EspumanteDouroCaves Transmontanas, Lda15,00 €17
Louis Roeder Cristal2004ChampanheChampagneLouis Roeder150,00 €18,5
Niepoort LBV2008Vinho do PortoVinho do PortoNiepoort11,90 €16