segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Jantar Outubro 2012



O jantar de Outubro tinha um aliciante muito próprio: o regresso ao Fusão Restaurante Lounge. Após a paragem em Agosto e as férias em Setembro (em que nos deliciámos no Gaveto), o regresso ao local de culto por excelência do 4 HM equiparava-se a um regresso a casa. E que bom foi.
O final da tarde teve grande agitação, com algumas ausências de última hora a testarem o nosso jogo de cintura na adaptação dos lugares e o equilíbrio global do painel. Com os telemóveis a ajudar, tudo se compôs de forma satisfatória.
O arranque foi com 2 espumantes da Bairrada. Um Wijion Blanc de Noirs, uma agradável novidade; seguido de um rosé Pinot Noir Campolargo, que conquistou os presentes. O primeiro branco também veio da Bairrada e arrecadou algumas pontuações bem elevadas, o suave Casa de Saima. Seguiu-se o D. Panterna Reserva, cuja garrafa, embora em boas condições de consumo, não estaria no seu melhor (foi uma sensação de alguma frustração, já que é um vinho de reconhecida qualidade). Os dois últimos brancos apresentaram-se em grande nível: Quinta dos Carvalhais Encruzado, complexo e delicado, a mostrar o motivo de ser uma referência nos varietais dessa grande casta do Dão; e o VZ, em grande forma, a passar com distinção o teste da longevidade e a conquistar o título de branco da noite.
O capítulo seguinte foi para os tintos, com 3 para prova. Iniciámos pelo Rubrica, um Alentejano estruturado e com boa acidez, muito bom e a dar sinais que o tempo ainda o poderá melhorar. O Douro ocupou o restante painel, com um Quinta de Lubazim encorpado e muito polido a proporcionar uma prova encantadora e o Quinta do Noval a levar-nos até à excelência. Chegou, viu e venceu o título de vinho da noite.
O capítulo sobremesas foi o mais atingido pelas ausências de última hora e ficou-se por duas curiosidades: um vinho doce de Cabo Verde já no percurso descendente e um Porto rubi medalhado com custo inferior a €4,00.
As saudades e um número de presenças inferior ao habitual proporcionaram um momento de convívio intenso, com muita e animada conversa. Boa comida, bons vinhos, grande convívio, estes jantares estão a tornar-se um dos momentos altos do mês para os elementos do 4 HM. Que orgulho!

Ficam as impressões dos vinhos provados por um painel de 10 elementos:

Entrada

Wijion: Cor amarelo citrino, aroma com balsâmico e cítrico. Fresco, suave e equilibrado na boca, segue o perfil do nariz até ao final médio. Uma novidade muito agradável.



Campolargo Pinot Noir: Cor rosada, aroma frutado e vegetal. Encorpado, fresco e equlibrado, enche a boca até ao final persistente. Espumante muito bom.

Brancos

Casa de Saima: Amarelo palha, nariz com notas frutadas e minerais. Na boca, apresenta corpo médio textura suave, frescura e bom equilíbrio. Mantém o perfil do nariz até ao final médio. Um vinho agradável, que entusiasmou alguns convivas.

Quinta dos Carvalhais Encruzado: cor amarelo palha, nos aromas as notas do estágio em madeira acompanham o lado frutado e mineral da casta. Fresco, corpo médio e equilibrado na boca, acompanha o que mostrou no nariz e termina bem. Um vinho muito bom.

VZ: cor amarelo palha, aroma com alguma tosta e fumado, bem como mineralidade. Encorpado e fresco na boca, tem óptimo equilibrio. Final longo, para uma apreciação global de muito bom. Convenceu a plateia com a sua qualidade.



Tintos

Quinta de Lubazim: cor rubi, aroma frutado, especiado e nuances de madeira. Encorpado, fresco, polido, com taninos maduros, segue o perfil do nariz até ao final longo. Um vinho muito bom, guloso, que proporciona muito prazer na prova.

Rubrica: Cor rubi, nariz frutado, especiado e com notas do estágio em madeira. Encorpado, fresco, equilibrado e com taninos bem presentes e redondos, acompanha o perfil do nariz até ao final longo. Muito bom, pujante e a indiciar longevidade.

Quinta do Noval: Cor rubi, nariz complexo, com fruta, balsâmicos e madeira. Encorpado, fresco, com taninos redondos. Globalmente equilibrado, temina longo e encantador. Deixou-nos rendidos à excelência.




Sobremesa

Porto Ruby Continente: cor rubi, aroma frutado e floral. Com algum corpo e frescura, o equilíbrio está muito bom para o segmento. Termina médio e suave. Um Vinho do Porto agradável por menos de €4,00.



Nome VinhoAnoTipoCastasRegiãoProdutorPreço PrateleiraClass.
Wijion Blanc de NoirsEspumante BrutoBagaBairradaAdega Coop. Cantanhede14,00 €15,5
Campolargo Pinot Noir2009Espumate RoséPinot NoirBairradaCarlos Campolargo11,90 €16,5
Casa Saima Reserva2010BrancoChardonnay, Maria Gomes, BicalBairradaGraça Maria Silva Miranda6,00 €16
Quinta Carvalhais Encruzado2010BrancoEncruzadoDãoQuinta dos Cavalhais12,00 €16
VZ2008BrancoDouroLemos  & Van Zeller25,00 €17
Quinta  Pinhanços Reserva2007TintoVinhas velhasDãoQuinta da Pellada15,00 €15
Quinta Lubazim Grande Reserva2008TintoDouroLuis João Noronha Pizzarro Castro23,50 €16
Rubrica2008TintoAlicante Bouschet, Aragonez, Syrah, Petti VerdotAlentejoLuis Duarte Vinhos, Lda15,00 €16
Quinta do Noval2008TintoDouroQuinta do Noval40,00 €18
Continente RubyVinho do PortoVinho do PortoQuinta & Vineyard Bottlers3,99 €15,5


sábado, 13 de outubro de 2012

Jantar Setembro 2012


Agosto também foi mês de férias dos nossos jantares. Estas pausas têm como consequência habitual um entusiasmo reforçado no regresso. Desta vez, uma pequena nuance alterou o panorama habitual: o nosso local de conspiração, Fusão Restaurante Lounge, estava encerrado para férias. Havia que colocar pés ao caminho e escolher a alternativa. Felizmente, a solução apareceu de forma muito rápida e natural. O Sr. João Silva, do Restaurante Gaveto, em Matosinhos, tem sido presença adiada nos nossos jantares, pelo que, de forma quase automática, estabelecemos os devidos contactos para avaliar a possibilidade de nos receber. A receptividade não poderia ser melhor e, em poucos dias, acertámos todos os pormenores que fizeram do Gaveto o primeiro local, além do Fusão, a receber um jantar do 4HM no formato tradicional. Se há decisões que se revelam  acertadas, esta é uma delas. A recepção, o acompanhamento, o timing de serviço, entre outros aspectos, foram excelentes. O mais importante, a refeição, foi excepcional. Da entrada às sobremesas, tivemos oportunidade de experimentar do que melhor se faz na região, no segmento cozinha tradicional Portuguesa. Não faltaram vozes a manifestar intenção de voltar. Um sucesso.
Podemos explicar pela localização do Gaveto a pequena turbulência no arranque. Na verdade, já passava das 21h15m, quando a metade dos participantes presentes deu início ao evento. As garrafas para a entrada ainda estavam a caminho, logo, iniciámos com um branco. E muito bem, já que da Nova Zelândia chegou o primeiro riesling da noite, com um perfil um pouco guloso, a prometer não sobrar na garrafa de quem o beber. Os atrasos não foram totalmente comprometedores e o primeiro espumante estava pronto a ser servido de seguida. Início com Lopo de Freitas, Bairradino, que mostrou uma boa mousse e um perfil mais delicado. Seguiu-se o Quinta de Santa Cristina, que veio da região dos vinhos verdes e mostrou-se agradável e fresco. O arroz de tamboril estava a chegar e continuou o desfile dos brancos. A quinta de Santa Cristina volta à mesa, desta vez com um branco, cujos aromas de banana e acidez pouco vincada não fizeram lembrar a região (levantou-se a hipótese da garrafa poder não estar nas melhores condições). Novo riesling da Nova Zelândia, Ribbonwood, da mesma região de Marlborough, já com o toque mineral que caracteriza a casta; convenceu. A aproximação ao continente Europeu fez-se com escala em Cabo Verde. Terra de Fogo diz a garrafa de um vinho local, de uvas Moscatel, que se mostrou bem feito, perfil equilibrado e consensual; uma brisa de exotismo que mereceu aprovação. Mas o capítulo dos rieslings ainda não tinha terminado. Para fechar o painel de brancos, da Alsace chegou o branco da noite; vinho com mais volume e suavidade de corpo a conquistar os convivas.
Ainda havia muito para beber e era altura dos tintos mostrarem o seu valor. O arranque foi com um ribatejano de 2004, que acabou por ficar para segunda prova com o objectivo de poder respirar mais um pouco no copo. Venha, então, nova surpresa. Terras de Belmonte chegou da Beira Interior sob a forma de um vinho respeitador das regras kosher, ou seja, que pode ser consumido por crentes da religião Judaica. Muito bem feito, começou por agradar, para depois surpreender com a história que consigo trazia. Vem o Quinta de S. João 2004 de novo à baila e surgem nuances nas opiniões. À esperada diferença entre apreciadores ou não de vinhos mais evoluídos, juntou-se uma interessante reflexão sobre a evolução do vinho com a temperatura, em que alguns dos presentes preferiram a temperatura inicial, ligeiramente mais fresca. O tinto da noite, no entanto, ainda estava para vir. Desta vez, foi o Alentejano Blog 2009 que trouxe a excelência à mesa. Um belo vinho, que se apresenta pujante, concentrado e sofisticado. A título pedagógico e de curiosidade, ainda passou pela mesa um Ramisco de Colares. Colheita da década de 60, o seu tom acastanhado e os seus aromas a café proporcionaram momentos especiais de degustação e aprendizagem.
Ainda os últimos comentários sobre os tintos pairavam no ar e a sobremesa aparece com a companhia do primeiro fortificado da noite. Um Vinho do Porto com laivos esverdeados que não deixava margem para dúvidas: anos e anos de garrafa. A Real Companhia Velha produziu, há mais de 100 anos, um vinho chamado Particular Medalhas, que nos coube em sorte provar e deslumbrar com as boa forma e complexidade que apresentava. Foi um momento reverencial face ao que estava no copo. Ainda houve tempo para fechar a noite com um Bastardinho de Azeitão 30 anos. É um licoroso que nos deixa sem palavras, de tão complexo, completo e emocionante de provar. Quando a euforia de provar um vinho centenário parecia o topo, este grande vinho nacional vem mostrar que a excelência na zona de Azeitão não se fica pelos Moscatéis. Foi eleito o vinho da noite, mas não de forma unânime, porque o Porto também teve votos.

No final, descontração e imensa satisfação foram a tónica, face ao elevado nível das experiências vínicas e gastronómicas vividas na noite. Ficam as impressões de 12 convivas (vinhos em prova cega) ansiosos pelo final de Outubro para novo encontro.


Espumantes
S. Domingos Lopo Freitas: Cor citrina, aroma vegetal e cítrico. Suave, fresco e equlibrado, termina médio. Muito bom.

Quinta Sta. Cristina Bruto: Cor palha, aroma frutado. Suave e equlibrado, termina algo curto. Um espumante agradável.



Brancos

Villa Maria Riesling: Amarelo citrino, nariz frutado, vegetal e balsâmico. Na boca, é fresco, suave e equilibrado, mantendo o perfil do nariz até ao final médio. Bom vinho.

Ribbonwood Riesling: cor amarelo citrino, aroma frutado e mineral. Na boca, mostra-se suave, fresco e equilibrado. O final é médio para uma apreciação global de muito bom.

Chã Terra Fogo: cor amarelo palha, nariz frutado, com alguma especiaria. Suave, fresco e equilibrado, termina médio. Muito bom.

Hugel Riesling: cor amarelo palha, nariz frutado e mineral. Com bom corpo cremoso, fresco e equilibrado, mantém o seu perfil até ao final médio. Muito bom.


Tintos

Terras de Belmonte: cor rubi, essencialmente frutado no aroma. Na boca mostra corpo médio, frescura, taninos redondos e equilíbrio global. Final médio, para uma apreciação global de bom vinho.

Quinta S. João: cor rubi, nariz frutado e balsâmico. Na boca é suave, fresco, com taninos redondos e equilibrado. Final médio, para um vinho muito bom.

Blog: Cor rubi, complexo nos aromas, com fruta, especiarias e notas de madeira. Encorpado, fresco, com taninos redondos e equilibrado, tem um final longo. Completo e cheio de força, está excelente.


Sobremesa

Particular Medalhas: cor esverdeada, aroma complexo. Suave, fresco e equilibrado, termina longo, numa apreciação global de excelente.


Bastardinho de Azeitão: cor acobreada, nariz complexo, com nuances de frutos secos, mel, café... Encorpado, com acidez vibrante e equilibrado, termina longo. Excelente.


Nome Vinho
Ano
Tipo
Castas
Região
Produtor
Preço Prateleira
Class.
Villa Santa Dry Riesling2011BrancoRieslingNova ZelândiaVilla Santa12,00 €16,5
Lopo Freitas2008Espumante BairradaCaves Solar S. Domingos17,50 €16
Quinta Sta. Cristina Bruto2009Espumante Vinhos VerdesGarantia das Quintas8,00 €15
Ribbonwood Riesling2011BrancoRieslingNova ZelândiaFramingham Wines12,00 €17
Chã Vinho do Fogo2011BrancoMoscatel brancoCabo VerdeViticultores de Chã das Caldeiras7,50 €15,5
Hugel Riesling2011BrancoRieslingAlsaceHugel & Fils16,00 €17,5
Terras de Belmonte2005TintoJaen, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Trincadeira, RufeteBeira InteriorAdega Cooperativa Covilhã9,00 €14,5
Quinta S. João2004TintoTouriga Nacional, Touriga Franca, Tinta RorizRibatejo DOCPinhal Torre20,00 €16
Blog2009TintoTouriga Nacional, Syrah, Alicante BouschetRegional AlentejanoTiago Cabaço Wines25,00 €17,5
Particular Medalhas Vinho do Porto Vinho do PortoReal Companhia Velha 18,5
Bastardinho Azeitão 30 anos LicorosoBastardoPenínsula de SetúbalJosé Maria Fonseca70,00 €18,5

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Jantar Julho 2012


O regresso aos jantares foi em 26 de Julho e, na verdade, foi bem mais fácil do que no mês anterior. As presenças voltaram ao normal, 10, e sentiu-se uma quase euforia no ambiente, face à conversa que havia para recuperar e a satisfação especial dos jantares. Destacou-se o painel de vinhos provados, um dos mais consistentes até hoje.
Um parágrafo de agradecimento para duas entidades que contribuíram para o painel deste jantar. Ao Eng. Luís Cerdeira, Quinta Soalheiro, que teve a amabilidade de nos oferecer uma magnum de Soalheiro Clássico 2011 quando tivemos o prazer de visitar a adega, ver detalhes aqui; e a Sogevinus, na pessoa do Dr. Filipe Assunção, que nos permitiu provar 3 vinhos Curva (2 brancos e 1 tinto).
Por questões de temperatura e perfil dos espumantes, desta vez o arranque foi com o Soalheiro. Numa noite de temperatura agradável, a esplanada foi o local ideal para o amuse-bouche. O Soalheiro, com a sua qualidade habitual, proporcionou um arranque num nível muito bom, e teve no Terras do Demo uma sequência bem à altura (um espumante que merece destaque). Os seguintes já seriam provados à mesa, com o Curva 2011 a mostrar-se agradável e bem para o preço, um Chardonnay da Borgonha elegante, o Curva Reserva fresco e com madeira bem trabalhada e o Revolta a convencer. Um espumante ficou para os pratos, Borga Bruto, e muito bem: complexo, com aromas terciários intensos, conquistou os convivas com o seu carácter. O capítulo tintos foi particularmente bom. Vejamos: Dorna Velha Grande Reserva, quase mastigável, bem redondo e sedutor, foi um início muito bom; seguiu-se o Curva Reserva, estruturado, bela acidez e carácter duriense a manter o muito bom; Quinta Abibes Sublime Touriga Nacional, um grande vinho, a trazer a excelência à mesa, e o fecho com uma magnum Palato do Coa Reserva, com corpo, complexidade, estrutura, enfim, repetiu-se o excelente.
Ainda faltava o vinho de sobremesa, que acabou por ser a cereja no topo do bolo: um Vinho do Porto do Séc. XIX, uma raridade que tivemos a sorte de provar.
Agosto é mês de férias e não haverá jantar, mas em Setembro temos a reentré com muitas histórias para contar e, certamente, muito entusiasmo.


Entrada

Terras do Demo: Cor citrina, aroma frutado, com citrinos. Suave, fresco e equlibrado, termina médio. Muito bom.


Brancos

Curva: Amarelo palha, nariz frutado e mineral. Na boca, é fresco, suave e equilibrado, mantendo o perfil do nariz até ao final médio. Bom vinho.

La Cave D'Augustin Florent: cor palha, nos aromas mostra-se frutado, mineral e floral. Na boca é suave, fresco e equilibrado. Termina médio, para uma apreciação muito boa.

Curva Reserva
: cor amarelo palha, aroma frutado, mineral e nuances do estágio em madeira. Na boca, o seu corpo bem constituído está acompanhado de uma bela acidez. Bom final, para um branco muito bom.

Revolta Reserva: cor amarelo palha, nariz frutado, mineral e algum fumado. Suave, fresco e equilibrado, mantém o seu perfil até ao final médio. Muito bom.

Tintos


Dorna Velha: cor rubi, nariz frutado, especiado e com nuances do estágio em madeira. Na boca é encorpado, com taninos redondos e equilibrado. Bom final, para uma apreciação global de muito bom.

Curva Reserva: cor rubi, nariz frutado e  com madeira. Na boca é encorpado, fresco, com taninos redondos e equilibrado. Final longo, para uma apreciação global de muito bom.

Sublime Touriga Nacional: Cor rubi, complexo nos aromas, com fruta, especiarias e balsâmicos. Encorpado, fresco, com taninos redondos e equilibrado, tem um final longo, elegante e sedutor. Excelente.

Palato Coa Reserva: Cor rubi, aroma frutado, floral, balsâmico e madeira. Encorpado, fresco, boa estrutura de taninos redondos e equilibrado, tem um final longo. Excelente.

Sobremesa


Albatrós Vinho Velho do Porto: cor esverdeada, aroma complexo, mas ainda com alguns frutos secos. Suave, fresco e equilibrado, mantém uma acidez que se destaca. Final longo, numa apreciação global de muito bom.


Nome VinhoAnoTipoCastasRegiãoProdutorPreço PrateleiraClass.
Terras do Demo Espumante BrutoMalvasia-FinaTávora-Varosa DOCCooperativa Agrícola Távora8,00 €16
Curva2011BrancoMalvasia-Fina, GouveioDouroSogevinus Fine Wines4,00 €15
La Cave d'Augustin Florent2011BrancoChardonnayBorgonhaMaison Chaussiron8,50 €16,5
Curva Reserva2010BrancoViosinho, Fernão PiresDouroSogevinus Fine Wines9,00 €16,5
Revolta Reserva2010Branco DouroVeredas Douro8,00 €16,5
Borga Bruto2004Espumante BairradaCarlos Campolargo18,00 €17,5
Dorna Velha Grande Reserva2007Tinto DouroSoc. Agric. Quinta do Silval12,00 €17
Curva Reserva2009Tinto DouroSogevinus Fine Wines12,00 €16
Quinta dos Abibes Sublime2009TintoTouriga NacionalBairradaQuinta dos Abibes25,00 €18
Palato do Coa Reserva2008TintoTouriga Nacional, Touriga FrancaDouro5 Bagos15,00 €17,5

terça-feira, 24 de julho de 2012

Visita a Sidónio de Sousa


A história desta visita tem início no belo jantar de Novembro 2011, que contou com a participação da Decante Vinhos. O Dr. Pedro Ferreira desafiou-nos a visitar um produtor do portfolio da Decante e esta foi a escolha conjunta.
O dia começou atribulado na questão horários: saída tardia de Vila do Conde, problemas com despertadores na Maia e obras na VCI (Porto), foram os primeiros obstáculos a ultrapassar. Felizmente foram os únicos e a partir do momento em que o mini-bus parou em Sangalhos, na habitação e adega da família Sousa, tudo decorreu de forma a tornar esta visita memorável.

A empresa

O início da aventura teve início com o avô do nosso anfitrião e gestor global da empresa, Eng. Paulo Sousa. Vindo dos Estados Unidos na década de 30, adquiriu os primeiros terrenos e deu início à produção, vendida a granel ou para cooperativas. Este modelo continuou até à década de 80, quando a produção de vinhos teve uma pausa. Após a conclusão dos estudos em Engenharia Química e colaboração com uma empresa de produção de vinhos, a família teve no Eng. Paulo Sousa a pessoa certa para voltar a dinamizar a produção própria. O regresso teve tal sucesso que acabou por exigir a sua disponibilidade total.
A produção tem por base os cerca de 12 hectares de vinhas próprias, plantadas em solo argilo-calcário, em Sangalhos, região da Bairrada. As castas plantadas são as brancas Arinto, Bical e Maria Gomes e as tintas Baga, Merlot e Touriga Nacional. O resultado é cera de 70.000 garrafas anuais, entre espumantes e tintos.

A vinificação

Em termos de equipamentos principais, temos uma prensa pneumática, 2 lagares, várias cubas de inox e algumas pipas usadas de carvalho nacional. O Eng. Paulo Sousa partilhou alguns pormenores interessantes para os mais curiosos: o contacto nos rosés apenas acontece na prensagem (algumas horas), não adiciona leveduras no processo, os vinhos estagiados em madeira apenas descansam em barricas usadas (algumas com dezenas de anos) e os espumantes são todos bruto natural, entre outros.



A visita

Após uma viagem, nada melhor que uma bebida fresca e um acompanhamento ligeiro. E o gosto tão Português de bem receber teve início com os espumantes rosé e branco, com enchidos e broa a acompanhar. A qualidade da comida foi acompanhada de 3 espumantes frescos e delicados, com os rosés 100% Baga 2009 e 2010 bem adaptados para entrada e um branco 2010 feito de Bical, Arinto e Maria Gomes com complexidade e estrutura para uma refeição.
O ponto seguinte da agenda era a visita à vinha. Localizada a cerca de 5 minutos de carro, aproveitámos o bus para juntarmos todos os presentes e rumarmos ao local. Deambulámos a pé pela vinha, enquanto ouvíamos o Eng. Paulo Sousa e tentávamos perceber os limites dos 12 hectares. É uma sensação especial olhar para a planta onde tudo começa.

O regresso à base teve uma paragem para recolha do que seria o prato principal do almoço: Leitão à Bairrada. Como extra, tivemos oportunidade de ver os bem tradicionais fornos.
Antes do almoço visitámos a adega e aprendemos com as explicações do processo produtivo da casa.
Instalados no espaço destinado ao repasto, que apresenta óptimas condições, começaram as surpresas. A “entrada” foi uma magnífica cabidela de leitão, que deliciou todos os presentes, acompanhada por um aclamado e surpreendente espumante tinto super reserva de 1999, 100% Baga, num momento de forma notável.
O leitão teve honras de acompanhamento por alguns tintos da casa. Iniciámos pelo Sidónio de Sousa Reserva 2008, um baga fresco e estruturado, mas também arredondado, aprovado pelos presentes. Seguiram-se 2 vinhos Sidónio de Sousa Garrafeira, anos 2000 e 1997. Início pelo 2000, grande impacto, encorpado, estruturado, mas polido, complexo, excelente. Um primeiro contacto com a excelência que a Baga consegue atingir quando sabemos esperar pelos seu vinhos. Já rendidos ao 2000, os copo acomodam o 1997 e atingimos outro patamar. É um vinho a que se pode chamar néctar, enorme, carnudo, polido, hipnotizante. Ter o privilégio de o beber é levitar, experimentar sensações que só os vinhos de excepção nos proporcionam. Se o 2000 é um cartão-de-visita para casta, região e país, o 1997 ultrapassa-o e é um verdadeiro hino ao vinho.

Uma deliciosa aletria culminou este banquete e muito bem acompanhada. Surge um Merlot 2010, vinho mais consensual, redondo e muito agradável, mas sem perder a identidade da casa, com corpo, frescura e estrutura. Harmonizou muito bem e, no seu segmento, conquistou os presentes. Tivemos, também, a honra da companhia do próprio Sr. Sidónio de Sousa neste final de refeição.


O final

A jornada foi longa, intensa e encantadora. Restava tirar a foto de grupo, agradecer a disponibilidade e a hospitalidade exemplar da família Sousa, a parceria da Decante Vinhos e desejar-lhes felicidades.
O balanço é excelente, entre o convívio, as provas e a aprendizagem. Além do produtor, também a Bairrada e a casta baga ganharam notoriedade, reconhecimento e o respeito deste grupo de apreciadores de vinho. Em 14/07/2012, o combate a eventuais preconceitos ganhou novos adeptos.