sábado, 2 de fevereiro de 2013

Jantar Dezembro 2012




O último jantar do ano foi em 27 de Dezembro e manteve-se o modelo temático de espumantes. Fazer um jantar com este tipo de vinho tem um desafio associado: temperatura. São muitas garrafas, todas para servir frescas e precisam sempre de uns minutos bem gelados antes da abertura. Significa isto que as que chegam mesmo na hora de arranque não se podem libertar das rolhas de imediato. Assim, a ordenação foi mais determinada pela temperatura do que pelo perfil do vinho em si. Nada de grave, a consequência foi termos começado muitíssimo bem.
Cartuxa Reserva 2008 teve honras de abertura, a acompanhar o amuse bouche com a sua qualidade e a mostrar que no Alentejo também há espumantes muito bons. Seguiu-se o Murganheira Vintage, certamente no grupo dos grandes nacionais, e por aqui se vê que o início colocou o nível num patamar bem elevado. O curioso champanhe low cost Philppe Fontaine mostrou a espuma tão característica dos vinhos da região e um perfil delicado, mas no geral não entusiasmou.
Depois da passagem por França, o regresso a Portugal proporcionou mais uma sucessão de espumantes de qualidade. Borga Bruto, complexidade na Bairrada de um produtor de referência (Campolargo); seguido da presença de uma versão tinta de Távora-Varosa, Terras do Demo, que convenceu com o seu equilíbrio; e o Vértice Millésime, Duriense, ombreou com os restantes nomes sonantes nacionais e esteve bem à altura do reconhecimento que tem.
A presença da mítica região de Champagne não tinha terminado, faltava a estrela da noite. Delicado no nariz, não se apresentou de forma ruidosa. Antes esperou pelo momento de mostrar as suas mousse, frescura e equilíbrio para demonstrar que tínhamos no copo algo de especial. O final longo, sedutor, irresistível rendeu-nos ao seu encanto. O Louis Roeder Cristal 2004 passou pelo nosso jantar para abrilhantar a noite e proporcionar um brinde de bom 2013 com um néctar superior.
Para fecho ainda havia o LBV 2008 da Niepoort, que mostrou boa qualidade e um potencial de longevidade acima da média na classe.
O ambiente festivo da época e da bebida estendeu-se aos convivas, no entanto, não deixámos de comentar a qualidade dos espumantes nacionais que bebemos nessa noite: Cartuxa, Murganheira Vintage, Borga e Vértice Millésime são espumantes de nível internacional. Foi um orgulho confirmá-lo.

Ficam as impressões dos espumantes e champanhes provados por um painel de 8 elementos:


Cartuxa Reserva: Cor palha, aroma frutado, vegetal e especiado. Fresco, suave e equilibrado na boca, segue o perfil do nariz até ao final longo. Muito bom.

Murganheira Vintage: Cor citrina, aroma complexo, tostado, frutado e algum mineral. Fresco, equilibrado e com bom volume, termina longo. Um dos preferidos da noite.

Philippe Fontaine: Cor citrina, nariz frutado. Na boca, destaca-se a boa mousse, acompanhada por frescura, num todo equilibrado. Final médio, um champanhe agradável.



Borga Bruto: cor amarelo citrino, aroma complexo, tostado, notas de madeira, balsâmico e vegetal. Fresco e equilibrado, acompanha o que mostrou no nariz e termina médio. Um espumante muito bom.

Terras do Demo: cor rubi, aroma essencialmente frutado. Na boca é bem equilibrado e fresco, com uma textura bem suave, quase cremosa. Final médio, para uma boa apreciação global. Um espumante tinto a manter como referência.


Vértice Millésime: cor amarelo palha, aroma frutado, tostado, madeira e balsâmico. Na boca destaca-se um acidez vibrante, mantendo-se bem equilibrado. Termina médio, para uma apreciação global de muito bom.


Cristal: cor amarelo citrino, nariz delicado, frutado e com notas de panificação. A boca apresenta a espuma tão característica dos champanhes, boa frescura e óptimo equilíbrio. Final longo, para um champanhe de excelência. O vinho da noite.


Sobremesa


Niepoort LBV: cor rubi bem concentrada. Aroma furtado e floral, com a vida de um LBV jovem. Estruturado e fresco na boca, apresenta bom equilíbrio. Os corpo, taninos e acidez que mostra prometem vida longa e evolução muito positiva em cave. Para beber já com decantação ou guardar.


Nome VinhoAnoTipoCastasRegiãoProdutorPreço PrateleiraClass.
Cartuxa Reserva2008EspumanteAlentejoFundação Eugénio Almeida26,00 €16
Murganheira Vintage2005EspumanteTávora-Varosa DOCMurganheira Vinhos e Espumantes25,00 €17,5
Philippe Fontaine2007ChampanheChampagnePhilippe Fontaine14,00 €14,5
Borga Bruto2004EspumanteBairradaManuel Santos Campolargo18,00 €17
Terras do DemoEspumante Tinto BrutoTouriga FrancaTávora-Varosa DOCCoop. Agric. Távora Varosa9,00 €15,5
Vértice Millésime2005EspumanteDouroCaves Transmontanas, Lda15,00 €17
Louis Roeder Cristal2004ChampanheChampagneLouis Roeder150,00 €18,5
Niepoort LBV2008Vinho do PortoVinho do PortoNiepoort11,90 €16


domingo, 23 de dezembro de 2012

Jantar Novembro 2012



Novembro tem 30 dias, parece curto, mas em 2012 expirou numa sexta-feira, pelo que tivemos que aguardar até ao penúltimo dia para nos podermos reunir em novo repasto. Uma noite molhada de Outono, que convidava a um serão no sofá, não demoveu os participantes, 10 entusiastas da bela comida do Fusão e dos contributos vínicos de cada um.
O jantar decorreu num ambiente quase intimista, o que proporcionou algumas reflexões e conversas sobre o próprio clube, como os elementos o sentem e caminhos a seguir. Tudo acompanhado por bons vinhos, claro.
O arranque foi com os habituais espumantes, com a região dos vinhos verdes a contribuir com o primeiro, Côto de Mamoelas, a mostrar-se bem fresco e fino; da Bairrada veio o Kompassus Blanc de Noirs, versão 2009, cujo antecessor passou por cá no jantar de Fevereiro de 2011. Muito bom.
A simpatia da Quinta de Santa Cristina, que nos enviou o portfolio para prova, continuou neste jantar. Tivemos oportunidade de provar um rosé bem guloso, equilibrado pela boa frescura da região, e um branco bem equilibrado e fresco, como esta região nos sabe dar. O capítulo brancos continuou com a surpresa da noite, já que tivemos um Chardonnay dos Açores, inesperado para todos os presentes. Mas a casta branca de eleição de Borgonha ou Chablis não se ficou por aqui, porque para os lados de Baião associa-se ao Avesso e o resultado chama-se Espinhosos, um belo branco da região dos vinhos verdes. Mais perto de Beja, juntou-se ao Arinto e Viognier, repousaram em barricas e originaram o Malhadinha, mais ambicioso e exuberante. O fecho foi com chave de ouro, já que o Curtimenta 2011 trouxe à mesa a excelência de um enorme Alvarinho.
Seguiram-se o tintos, com o Douro a fazer o pleno nos 3 provados. Início com Quinta da Silveira, que no Vale da Vilariça fez um vinho mais focado na elegância do que na concentração; seguiu-se o carácter e a qualidade das vinhas velhas da Quinta dos Frades com o seu Vinha dos Deuses e fechámos com o topo de gama tinto do projecto de Carla Ferreira, Conceito, que contribuiu com mais um momento de excelência no jantar.
Para sobremesa tivemos um Vintage da Quinta do Monte Bravo, que se revelou complexo, misterioso e ainda com capacidade para muitos anos de garrafa.
No final de Dezembro voltaremos para o já tradicional jantar de espumantes, afinal a época é festiva.

Ficam as impressões dos vinhos provados por um painel de 10 elementos (prova cega):

Entrada

Côto de Mamoelas: Cor citrina, aroma frutado e vegetal. Fresco, suave e equilibrado na boca, segue o perfil do nariz até ao final médio. Fresco e muito agradável.
Kompassus Blanc de Noirs: Cor com ligeiro rosado, aroma complexo, balsâmico e frutado. Mousse delicada, fresco e equlibrado na boca, termina médio. Espumante muito bom.


 Quinta Santa Cristina rosé: Cor rosa pálido, nariz com frutos vermelhos. Na boca, apresenta corpo bem constituído para o género e mais frutos docinhos, suportados por boa frescura. Final médio. Um vinho agradável, indicado para os mais gulosos.


Brancos

Quinta Santa Cristina: cor amarelo citrino, frutado no aroma. Bem fresco, corpo médio e equilibrado, acompanha o que mostrou no nariz e termina médio. Um bom vinho, muito agradável.

Quinta Jardinete: cor amarelo palha, aroma essencialmente frutado, com algum vegetal. Corpo médio, suave e fresco na boca, mostra bom equilibrio. Final médio, para uma boa apreciação global.

Espinhosos: cor amarelo palha, aroma frutado, floral e algum mineral. Corpo suave com algum volume e fresco, mostra um equilíbrio muito bom. Final médio, para um vinho muito bom.

Malhadinha: cor amarelo palha, nariz complexo, frutado, balsâmico e com nuances do estágio em madeira. Encorpado e quase cremoso, apresenta-se fresco e equilibrado. Final longo, um vinho à porta da excelência.

Curtimenta: cor amarelo palha, nariz intenso, frutado, floral e mineral. Encorpado, mostra uma belíssima acidez vibrante e um óptimo equilíbrio. Final longo e muito persistente, um alvarinho de topo.


Tintos

Quinta da Silveira: cor rubi, aroma frutado e floral. Suave, equilibrado e com taninos redondos, termina médio, com o perfil do nariz. Um Douro elegante, muito bom

Vinha dos Deuses: Cor rubi, nariz frutado, especiado e com notas do estágio em madeira. Corpo médio, fresco, equilibrado e com taninos redondos, acompanha o perfil do nariz até ao final longo. Muito bom, boa opção para o preço.


Conceito: Cor rubi, nariz complexo, frutado, floral, alguma especiaria e notas de madeira. Encorpado, fresco, com taninos redondos e bem envolvidos. Equilibrado, temina longo e sedutor. A excelência do princípio ao fim.


Sobremesa

Quinta do Monte Bravo: cor rubi com sinais de evolução, aroma complexo ainda com alguma fruta. Encorpado, fresco, com taninos redondos, mas ainda presentes, termina muito bem. Um Vintage enigmático, para apreciadores de degustações quebra-cabeças.

 


Nome Vinho
Ano
Tipo
Castas
Região
Produtor
Preço Prateleira
Class.
Côto de Momelas2009EspumanteAlvarinhoVinhos VerdesProvam12,00 €15,5
Kompassus Blanc de Noirs2009EspumanteBaga, Touriga Nacional, ArintoBairradaKompassus Vinhos, Lda14,00 €16,5
Quinta Sta. Cristina2011RoséVinhos VerdesGarantia das Quintas3,50 €14
Quinta Sta. Cristina2011BrancoVinhos VerdesGarantia das Quintas5,00 €14,5
Quinta Jardinete2011BrancoChardonnayRegional AçoresKristina Topic Rebelo17,00 €16
Espinhosos2011BrancoAvesso, ChardonnayRegional MinhoA&D Investimentos6,80 €16,5
Malhadinha2010BrancoArinto, Viognier, ChardonnayRegional AlentejanoHerdade Malhadinha Nova18,00 €17
Curtimenta2011BrancoAlvarinhoVinhos VerdesAnselmo Mendes Vinhos, Lda22,00 €17,5
Quinta da Silveira Reserva2008TintoTouriga Nacional, Touriga Franca, Tinta RorizDouroSoc. Agrícola Vale da Vilariça8,00 €16
Vinha dos Deuses2008TintoVinhas velhasDouroFracastel Comércio Vinhos15,00 €16,5
Conceito2007TintoDouroVitivinícola Carla Ferreira, Unipessoal27,50 €17,5
Quinta do Monte Bravo Vintage2000Vinho do PortoVinho do PortoFrancisco José Márcio Rodrigues45,00 €17

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Jantar Outubro 2012



O jantar de Outubro tinha um aliciante muito próprio: o regresso ao Fusão Restaurante Lounge. Após a paragem em Agosto e as férias em Setembro (em que nos deliciámos no Gaveto), o regresso ao local de culto por excelência do 4 HM equiparava-se a um regresso a casa. E que bom foi.
O final da tarde teve grande agitação, com algumas ausências de última hora a testarem o nosso jogo de cintura na adaptação dos lugares e o equilíbrio global do painel. Com os telemóveis a ajudar, tudo se compôs de forma satisfatória.
O arranque foi com 2 espumantes da Bairrada. Um Wijion Blanc de Noirs, uma agradável novidade; seguido de um rosé Pinot Noir Campolargo, que conquistou os presentes. O primeiro branco também veio da Bairrada e arrecadou algumas pontuações bem elevadas, o suave Casa de Saima. Seguiu-se o D. Panterna Reserva, cuja garrafa, embora em boas condições de consumo, não estaria no seu melhor (foi uma sensação de alguma frustração, já que é um vinho de reconhecida qualidade). Os dois últimos brancos apresentaram-se em grande nível: Quinta dos Carvalhais Encruzado, complexo e delicado, a mostrar o motivo de ser uma referência nos varietais dessa grande casta do Dão; e o VZ, em grande forma, a passar com distinção o teste da longevidade e a conquistar o título de branco da noite.
O capítulo seguinte foi para os tintos, com 3 para prova. Iniciámos pelo Rubrica, um Alentejano estruturado e com boa acidez, muito bom e a dar sinais que o tempo ainda o poderá melhorar. O Douro ocupou o restante painel, com um Quinta de Lubazim encorpado e muito polido a proporcionar uma prova encantadora e o Quinta do Noval a levar-nos até à excelência. Chegou, viu e venceu o título de vinho da noite.
O capítulo sobremesas foi o mais atingido pelas ausências de última hora e ficou-se por duas curiosidades: um vinho doce de Cabo Verde já no percurso descendente e um Porto rubi medalhado com custo inferior a €4,00.
As saudades e um número de presenças inferior ao habitual proporcionaram um momento de convívio intenso, com muita e animada conversa. Boa comida, bons vinhos, grande convívio, estes jantares estão a tornar-se um dos momentos altos do mês para os elementos do 4 HM. Que orgulho!

Ficam as impressões dos vinhos provados por um painel de 10 elementos:

Entrada

Wijion: Cor amarelo citrino, aroma com balsâmico e cítrico. Fresco, suave e equilibrado na boca, segue o perfil do nariz até ao final médio. Uma novidade muito agradável.



Campolargo Pinot Noir: Cor rosada, aroma frutado e vegetal. Encorpado, fresco e equlibrado, enche a boca até ao final persistente. Espumante muito bom.

Brancos

Casa de Saima: Amarelo palha, nariz com notas frutadas e minerais. Na boca, apresenta corpo médio textura suave, frescura e bom equilíbrio. Mantém o perfil do nariz até ao final médio. Um vinho agradável, que entusiasmou alguns convivas.

Quinta dos Carvalhais Encruzado: cor amarelo palha, nos aromas as notas do estágio em madeira acompanham o lado frutado e mineral da casta. Fresco, corpo médio e equilibrado na boca, acompanha o que mostrou no nariz e termina bem. Um vinho muito bom.

VZ: cor amarelo palha, aroma com alguma tosta e fumado, bem como mineralidade. Encorpado e fresco na boca, tem óptimo equilibrio. Final longo, para uma apreciação global de muito bom. Convenceu a plateia com a sua qualidade.



Tintos

Quinta de Lubazim: cor rubi, aroma frutado, especiado e nuances de madeira. Encorpado, fresco, polido, com taninos maduros, segue o perfil do nariz até ao final longo. Um vinho muito bom, guloso, que proporciona muito prazer na prova.

Rubrica: Cor rubi, nariz frutado, especiado e com notas do estágio em madeira. Encorpado, fresco, equilibrado e com taninos bem presentes e redondos, acompanha o perfil do nariz até ao final longo. Muito bom, pujante e a indiciar longevidade.

Quinta do Noval: Cor rubi, nariz complexo, com fruta, balsâmicos e madeira. Encorpado, fresco, com taninos redondos. Globalmente equilibrado, temina longo e encantador. Deixou-nos rendidos à excelência.




Sobremesa

Porto Ruby Continente: cor rubi, aroma frutado e floral. Com algum corpo e frescura, o equilíbrio está muito bom para o segmento. Termina médio e suave. Um Vinho do Porto agradável por menos de €4,00.



Nome VinhoAnoTipoCastasRegiãoProdutorPreço PrateleiraClass.
Wijion Blanc de NoirsEspumante BrutoBagaBairradaAdega Coop. Cantanhede14,00 €15,5
Campolargo Pinot Noir2009Espumate RoséPinot NoirBairradaCarlos Campolargo11,90 €16,5
Casa Saima Reserva2010BrancoChardonnay, Maria Gomes, BicalBairradaGraça Maria Silva Miranda6,00 €16
Quinta Carvalhais Encruzado2010BrancoEncruzadoDãoQuinta dos Cavalhais12,00 €16
VZ2008BrancoDouroLemos  & Van Zeller25,00 €17
Quinta  Pinhanços Reserva2007TintoVinhas velhasDãoQuinta da Pellada15,00 €15
Quinta Lubazim Grande Reserva2008TintoDouroLuis João Noronha Pizzarro Castro23,50 €16
Rubrica2008TintoAlicante Bouschet, Aragonez, Syrah, Petti VerdotAlentejoLuis Duarte Vinhos, Lda15,00 €16
Quinta do Noval2008TintoDouroQuinta do Noval40,00 €18
Continente RubyVinho do PortoVinho do PortoQuinta & Vineyard Bottlers3,99 €15,5